About

MIRA: Mapa de Iniciativas de Recursos Abertos

O projeto MIRA é resultado de uma chamada da Fundação Hewlett para a criação de protótipos para um mapa global para Recursos Educacionais Abertos. A chama por sua vez foi resultado de uma longa discussão virtual ocorrida ao final de 2012 para definir a necessidade e modelo para um mapa sobre REA. Nesta fase inicial 3 grupos foram selecionados para criar um protótipo funcional entre os meses de fevereiro-abril de 2014. O MIRA é o resultado de um desses projetos.

O projeto teve como objetivo não somente a produção de software, mas também de conteúdo. Buscamos identificar e mapear iniciativas relacionadas a REA em uma área pouco reconhecida por conta das línguas principais (português e espanhol, ao invés do inglês), da região geográfica (América Latina) e do nível educacional escolhido (ensino básico). Para este projeto, por conta de limitações de tempo, focamos nossas buscas em 24 países: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Republica Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, e Venezuela.

Partindo dessa lista, desenvolvemos três linhas de trabalho paralelas: primeiro, o levantamento e sistematização de dados confiáveis; segundo, a definição de uma estrutura de organização dos metadados/vocabulário a serem coletados; e terceiro, a construção de um protótipo funcional do sistema de mapeamento. Abaixo, delineamos as três etapas.

Levantamento de dados

Compilamos uma lista de contatos e conhecedores do universo do acesso aberto, recursos abertos e ensino básico na América Latina que pudessem ajudar a identificar iniciativas de relevância em cada um dos países. Solicitamos de cada um, através de um email apontando para um formulário online (http://www.tfaforms.com/320189) as (5) principais iniciativas em seu país, em outros países na América Latina, e uma sugestão de uma outra pessoa com quem pudéssemos entrar em contato. Da nossa lista inicial com aproximadamente 70 pessoas, obtivemos 23 respostas de nove países (Venezuela, Peru, Chile, Colombia, Brasil, Argentina, México, Equador, Uruguai). Em paralelo identificamos iniciativas utilizando buscas na web, listas de repositórios e documentos publicados, com maior afinco, abaixo:

  1. REA Brasil (http://rea.net.br/site/rea-no-brasil-e-no-mundo/)

  2. Educação Aberta (http://educacaoaberta.org/wiki/index.php?title=Lista)

  3. Commonwealth of Learning (http://www.col.org/SiteCollectionDocuments/Forms/AllItems.aspx?RootFolder=%2fSiteCollectionDocuments%2fcountry-information&FolderCTID=&View=%7b54D20EF6-7EA0-4B00-9087-C58D284E6E2F%7d)

  4. WSIS (http://www.wsis-community.org/pg/directory/view/672996?offset=0)

  5. Sites de governo e ministérios da educação de cada país

  6. TEMOA (http://www.temoa.info/)

  7. Dictalia (http://didactalia.net)

  8. RELPE (http://www.relpe.org/)

  9. InfoDev Report – Survey of ICT and Education in the Caribbean (http://www.infodev.org/infodev-files/resource/InfodevDocuments_441.pdf)

  10. CKLN Report – Use and development of OER (http://www.ckln.org/home/sites/default/files/OER%20Workshop_Resources_Links_0.pdf)

  11. Instituto Salamanca – Recursos educativos digitales abiertos (http://institutosalamanca.com/recursos-educativos-digitales-abiertos-libro-gratis/)

  12. Recursos educacionais abertos no Brasil: O estado da arte (http://www.cetic.br/publicacoes/2012/rea-andreia-inamorato.pdf)

  13. Uma análise dos termos de uso de repositórios de recursos educacionais digitais no Brasil (http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/TDig/article/view/5892)

  14. UNESCO Iniciativa de Acesso Aberto – (http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/portals-and-platforms/goap/access-by-region/latin-america-and-the-caribbean)

  15. BID, portal institucional (http://www.iadb.org/en/indes/open-education-resources,7016.html)

  16. BID, blog/comunidade (http://blogs.iadb.org/education)

  17. OEI, (http://www.educoas.org/default2.aspx)

  18. OEA (http://www.educoas.org/default2.aspx)

  19. Comunidad Educativa de Centroamérica y República Dominicana (http://www.ceducar.info/).

A primeira compilação listou 80 iniciativas. Filtramos iniciativas não alinhadas com o escopo do projeto, deixando de lado projetos com enfoque em ensino superior, bancos de teses e dissertações, sites meramente informativos, entre outros. Para definir a inclusãoo e exclusão de sites, partimos da definição de REA construída colaborativamente, e publicada pela UNESCO/COL:

Os REA são materiais de ensino, aprendizado e pesquisa em qualquer suporte ou mídia que estão sob domínio público ou são licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam acessados, utilizados, adaptados e redistribuídos por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e reúso potencial dos recursos. Os REA podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, guias para es- tudantes, anotações, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, instrumentos de avaliação, recursos interativos como simulações e jogos de interpretação, bancos de dados, software, aplicativos (incluindo versões para dispositivos móveis) e qual- quer outro recurso educacional de utilidade. O movimento REA não é sinônimo de aprendizado on-line, EaD ou educação por meio de dispositivos móveis. Muitos REA – mesmo que possam ser compartilhados por meio de formatos digitais – também podem ser impressos (2011).

 Com base em análises anteriores no Brasil (Amiel & Santos, 2013; Rossini, 2010), sabíamos que mesmo os melhores repositórios e iniciativas apresentam dificuldades na clareza da apresentação das licenças e de alinhamento entre as licença do site e dos recursos.  Desconsideramos também o uso de formatos e padrões técnicos abertos como critério de exclusão, um área ainda menos priorizada e conhecida, não só na América Latina, mas no mundo.

Por conta dessas considerações, decidimos por um filtro poroso: preferimos incluir do que excluir. Incluímos qualquer site que explicitasse uma licença aberta ou contivesse recursos com licenças abertas, e contivesse recursos com alguma relação ao ensino básico. Uma importante exceção: decidimos manter sites claramente públicos, mesmo que indicassem uma licença restritiva (copyright), com o intuito de abrir uma discussão sobre a relação ente o financiamento público e a abertura de recursos.

 Uma análise dos projeto levantados identificou uma heterogeneidade de implementações, desde o tipo sistema utilizado (site estático em HTML, CMS, repositórios estruturados), usos de licenças (disparidade entre licenças do site e dos recursos, falta de clareza nos termos de uso, entre outros), além de diferentes esquemas de categorização/metadados utilizados para organizar os recursos. Identificamos poucos exemplos de iniciativas que fazem uso de estruturas próprias para repositórios (como DSpace). O projeto conta com aproximadamente 50-60 iniciativas com dados detalhados, sendo que novos pontos são adicionados regularmente.

Categorização

Analisamos cinco projetos de mapeamento REA existentes, apontados na discussão virtual de 2012 e na chamada da Hewlett Foundation, para entender o panorama dos sistemas e funcionalidades existentes, mas com particular interesse em verificar como categorizam as iniciativas e que tipos de dados coletam. O resultado dessa análise está disponível abertamente (inglês).

A análise desses desses sistemas nos apontou para algumas maneiras, um tanto díspares, de organização do conteúdo. Fizemos uso categorias e vocabulário levantados para iniciar um trabalho colaborativo para definir um esquema de metadados para o nosso projeto. Agimos em parceria com o grupo de trabalho do projeto eMundus e do projeto POERUP que também buscavam mapear suas inciativas.

O esquema final (inglês) conta com 11 categorias obrigatórias e 14 categorias opcionais e um vocabulário controlado. Alinhamos cada item das categorias obrigatórias com campos no padrão de metadados Dublin Core, garantindo maior interoperabilidade de dados com outros sistemas. Utilizamos padrões para classificar dados, como o ISCED para definir níveis de enisno, e categorias do IMS LODE pensando no desenvolvimento futuro do projeto.

Mapeamento

Construímos uma análise detalhada de sistemas de mapeamento disponíveis e que consideramos apropriados para esta iniciativa, já pensando no desenvolvimento do projeto em sua segunda fase. Fizemos uma análise detalhada de sistemas de mapeamento baseado em um projeto do JISC/RSP análise de softwares de repositório. A tabela completa e a análise crítica desses sistemas está disponível abertamente (em português, sendo traduzida para inglês). Com base no trabalhAvaliando a disponibilidade de tempo e funcionalidades disponíveis, decidimos por utilizar o JEO, um template de mapeamento baseado em WordPress e disponível livremente, para criar um protótipo do nosso sistema. Dentre outras funcionalidade existentes, ressaltamos:

Interface e conteúdo em múltiplas línguas (português, espanhol e inglês)
Pins customizáveis (ilimitado) baseado em características das inicitativas;
Buscas em modo texto e por categorias cruzadas – todas as disponíveis nos metadados;
Contribuição de iniciativas pelos usuários bem como comentários (com moderador) e agregação (demo) de pontos;
Uso da camada de OpenStreetMaps;
Federação de dados, e extração em formato padrão (JSON);
Visualização em dispositivos móveis;
Estrutura visual que permite agregar conteúdos variados (mídias) para cada iniciativa (ver exemplo do BIOE).
Estrutura avançada de customização do sistema para administradores, com suporte nativo para site multlíngue.

 Utilizamos um exemplo (Banco Internacional de Objetos Educacionais) para demonstrar o que pretendemos desenvolver em uma segunda fase do projeto, listando informações detalhadas sobre os recursos em si. Estes dados, poderíam ser buscados automaticamente através da APIs, OAI-PMH, RSS ou outro formato de conexão ou saída de dados. Por hora, é uma página estática com feita para demonstrar este potencial.

Desde o início, decidimos que o sistema de mapeamento deveria ser aberto e distribuído, para que qualquer iniciativa pudesse absorver os dados produzidos pelo MIRA ou replicar o software em suas instalações. As instâncias do software devem poder sincronizar seus conteúdos com outras instalações. Essa configuração cria uma rede confiável de repositórios de informação, sem um nó central ou ponto único propenso a falhas. Toda a informação está disponível em um banco de dados CouchDB, que proporciona todas as funcionalidades, permitindo sincronia peer-to-peer e suporte para JSON.

Diagrama do sistema de software

O software está disponível para download em (https://github.com/fksr86/rea/).

Segunda fase do projeto

 O protótipo e a análise preliminar dos dados levantados aponta para um número maior do que esperado de iniciativas contendo REA para o ensino básico na América Latina. No entanto, também identificamos muitas oportunidades para melhora nos projetos e sistemas. Os dados coletados nessa primeira fase servem como um diagnóstico, propiciando uma oportunidade para análise mais profunda desse cenário  como guia para a expansão do projeto.

 Para continuidade do projeto, temos como meta:

  1. Expandir o escopo das iniciativas na América Latina, e para o nível global;

  2. Manter a estratégia visual adotada, aprimorando o layout e funcionalidades do site através de testes com usuários (online e presenciais);

  3. Aprimorar as funcionalidades de descentralização e federação dos dados, facilitando o intercâmbio e sincronização de conteúdos de repositórios complexos e muito simples, investigando tecnologias como ResourceSync e SWORD.

  4. Facilitar a inserção de dados e o processo de moderação;

  5. Desenvolver uma aplicação e interface de software que permita coletar dados de várias iniciativas para além das iniciativas (mezzo), permitindo que o sistema faça uma coleta de dados dos recursos em cada repositório (micro), desde que estes permitam essa funcionalidade através de algum sistema padrão de troca ou saída de dados (API,Json,XML, etc.)

  6. Aprimorar o uso de linked data utilizando URI definidos disponíveis em schema.org, FOAF, dentre outros.

  7. Desacoplar o sistema de software de sua dependência do WordPress, utilizada para fins de demonstração do protótipo.

  8. Buscaremos desenvolver um sistema com interface similar, porém que não dependa de uma base SQL, e possa funcionar de maneira mais leve, independente de um CMS como WordPress, Joomla, ou Drupal.

  9. Encontrar maneira de organizar e apresentar conteúdo aos usuários de maneira dinâmica, fomentando a participação e sensibilização dos mesmos quanto a REA.

Desenvolvemos portanto, um protótipo atendendo todas as demandas da chamada inicial (seção III, https://docs.google.com/file/d/0B5FQbmPL4C6TV21uT09CRXdIYnM/edit)

  1. Desenvolver um protótipo funcional, utilizando software livre e de código aberto;
  2. Desenvolvemos um esquema para delinear futuros desenvolvimentos;
  3. Abrimos a possibilidade de exportação de dados em formato padrão para que outros programas (como D3.js) possam demonstrar a visualização de dados de maneiras variadas;
  4. Produzimos novas informações sobre REA (indo além do conteúdo disponível), com enfoque no ensino básico na América Latina, nos idiomas português e espanhol;
  5. Determinamos as categorias e vocabulário apropriados para um desenvolvimento futuro do projeto com novos dados, utilizando uma licença CC-BY para o conteúdo;
  6. Avaliamos bancos de dados disponíveis para futuras buscas de conteúdo;
  7. Criamos um relato do processo para desenvolvimento futuro.

Coordenação
Tel Amiel (coordenador) – UNICAMP – Brasil
Priscila Gonsales, Instituto Educadigital – Brasil
Xavier Ochoa, Escuela Superior Politécnica del Litoral – Ecuador
Everton Alvarenga, Open Knowledge – Brasil

Equipe
Andre Deak | Felipe Lavignati – Customização de sistema JEO
Carlos Villavicencio – Implementação de protótipo de federação
Gabriel Fedel – Análise de plataformas de mapeamento
Tiago Soares – Sistematização e levantamento de dados

Agradecimentos aos colaboradores:

Argentina
Dominique Babini (Universidad de Buenos Aires)
Paola Bongiovani (Universidad Nacional de Rosario)

Brasil
Andreia Inamorato dos Santos (Pesquisadora e Consultora em Educação)
Carolina Rossini (Public Knowledge)
Débora Sebriam (Educadigital/REA-br)
Hélio Kuramoto (IBICT)
Itana Gimenes (UFMT)
Rosa Maria Vicari (UFRGS)

Chile
Luis Alberto Alvarez González (UACh)
María Francisca Gatica Cádiz (Mineduc)
Werner Westermann Juarez (Educalibre)
Walter Antonio Santander Wanhoff (Universidad Catolica Norte)

Colômbia
Andrés Chiappe (Universidad de la Sabana)
Blessed Ballesteros (Universidad del Norte)
Juan Carlos Bernal (Ministerio de Educación Nacional)
Néstor Darío Duque Méndez (Universidad Nacional de Colombia Sede Manizales)

Equador
Andrés Ycaza Mantilla (IEPI)
Jorge Maldonado Mahauad (Proyecto MED)

México
Marcela Morales (OCWC)

Peru
Fernando Ardito (Universidad Peruana Cayetano Heredia)
Libio Huaroto (UNMSM)
Mariella Cantoni (Universidad Inca Garcilaso de la Vega)

Uruguai
Graciela Rabajoli (Plan Ceibal)
Luis Alonzo Fulchi (Creative Commons)

Venezuela
Antonio Silva Sprock (UCV)

Referências
AMIEL, T.; SANTOS, K. Uma análise dos termos de uso de repositórios de recursos educacionais digitais no Brasil.
ROSSINI, C. Green-Paper: The state and challenges of OER in Brazil: From readers to writers?
UNESCO/COL. Guidelines for Open Educational Resources (OER) in Higher Education.